abril 18, 2007

O que ameaça a democracia

Diante, do que me atrevo a chamar, da cultura do esculacho não há democracia, há cinismo e populismo (a parte pejorativa desse termo) travestidos de liberdade de expressão. A cultura do esculacho tem dado muito lucro aos canais “Assina e atura”, “Tv acabo com você”, é a lógica do “Topa tudo por dinheiro”. A família toda assiste e se diverte vendo a vida como ela não é pelo buraco da fechadura dos “BBBs” da Globo. É de fato o “Pânico” na Tv!

Há tempos atrás, uma medida judicial tirou do ar o programa do “animador” João Cleber e no lugar apresentou uma proposta educativa com o objetivo de ensinar que a figura humana não pode ser transformada em ridículo e que a perversão dos direitos humanos deve ser punida. Muito boa a atitude contra o programa: uma ação judicial articulada com um projeto educativo. Que essa fala não seja vista como censura, igualando minha posição a dos autoritários anos de chumbo porque seria no mínimo rebaixar a discussão.

Sabemos que a Tv só respeita o que se converte em audiência. Com raras e dignas exceções, assistimos canais de tv apelando para o consumo politicamente correto e apostando em ações afirmativas porque isso hoje está na moda. Indico o Dvd; Quanto vale ou é por quilo. Ótima forma de ilustrar como a miséria, num mundo em que tudo é estetizado, vira um produto de mercado. O filme desmascara a “pilantropia” em ação e soube muito bem explorar as contradições de uma sociedade com viés solidário que, quando tem que se virar, o lema é: farinha pouca, meu pirão primeiro.

Lembro de um episódio do “BBB” em que uma “personagem” falava o português de forma inadequada do ponto de vista da norma culta brasileira. Os alunos, de forma preconceituosa, a chamavam de burra. Então eu chamei atenção para o índice de analfabetos do Brasil. Mostrei nossa era da informação/ pós-moderna e seu paradoxo. Apesar da internet e de todo o avanço tecnológico, convivemos com o analfabetismo, a fome, o trabalho escravo, inclusive, o trabalho infantil. Os alunos compreenderam que, antes de lançar mão de qualquer juízo de valor, é preciso estar atento para critérios justos e principalmente para a contextualização das situações.

Precisamos reiventar a articulação entre progresso e humanidade e compreender que, em cada ação no nosso cotidiano, a medida de todas as coisas é a dignidade humana.. Isso é escolher não cruzar os braços diante de nossos vários alunos e diante de uma sociedade que quer ver a escola cumprir seu papel de emancipadora da classe trabalhadora. independente de gênero, raça, opção sexual, religião, ... Acho que essas reflexões fortalecem a resistência diante da barbárie, do esculacho e do cinismo travestidos de democracia/democratismos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Relação Professor, Aluno, Tecnologia: Um Espaço para o Saber, o Saber Fazer, o Saber Conviver e o Saber Ser




Romilda Teodora Ens - PUCPR



Resumo

Quando se fala em tecnologias da informação e da comunicação (TICs) no espaço da escola, se evidencia que esta ferramenta eletrônica, apesar da sua crescente valorização e importância, nos dias atuais, não substitui os atores do processo de ensinar e aprender, mas consegue transformar o ambiente da aula tradicional. O presente texto configura-se num exercício de reflexão sobre a relação professor/aluno/conteúdo/TICs no processo de construção de conhecimento. Esse processo mantém o professor como figura insubstituível, não dispensando o uso das TICs, pois elas possibilitam um aprimoramento da transmissão de conhecimento e ao mesmo tempo abrem o espaço para que professor e aluno construam conhecimentos.

Palavras-chave

Relação professor/aluno/conteúdo/TICs, construção de conhecimento, papel do professor