maio 07, 2007

Não desistimos nunca...

Defender uma política pública inclusiva, ética e demasiadamente humana para a Educação do Estado do Rio de Janeiro é tarefa de toda a sociedade.

Não existe documento de cultura que não

seja ao mesmo tempo documento de barbárie

( Walter Benjamin)

As professoras orientadoras tecnológicas, que hoje integram uma comissão junto à See (Secretaria de Educação do Estado) para discutir um projeto de implementação das Tics (tecnológica da informação e da comunicação) na educação, além de reivindicar a volta da função dos ots, capacitados e certificados ao longo de 2006 - ainda não designados por falhas na máquina administrativa da See, vêm, de público, defender políticas públicas sérias para educação do Estado do Rio de Janeiro - historicamente construídas pela sociedade organizada e vetada pelo poder executivo.

É mister lembrar que um Plano Nacional de Educação foi elaborado no II Congresso Nacional de Educação (CONED), de 6 a 9 de novembro de 1997, e encaminhado por deputados da oposição (PL 4155/98) e teve vetos absurdos que até hoje não conseguimos derrubar. Consultores de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados e Consultores de Orçamento, Fiscalização e Controle do Senado Federal afirmam que vetos não se justificam.[1]

Começamos nosso texto por essa lembrança para que fique bem claro que vamos continuar falando do óbvio até sermos ouvidos. Não sofremos apenas de uma epidemia de cegos, como nos sugere José Saramago (Ensaio sobre a cegueira), há também uma deficiência auditiva e, se me permitem, um cinismo descarado que torna invisível aquilo que não tem justificativa e nunca terá.

Valei-me, mestre Benjamin, que já vislumbrava as marcas de nossa era paradoxal em que a civilização tenta encobrir, envergonhada, sua face bárbara. E é pensando nas nossas contradições que sinto anunciar, como um anjo de mau agouro, que a manchete, tão temida por um membro da See: “alunos em casa sem professores e laboratórios de informáticas recebendo equipamentos” faz parte de um pais marcado pelo absurdo que até Kafka acharia estranho. Se a professora da See fica estarrecida com essa idéia, imaginem como deve ficar perplexa diante das manchetes nossas de todo dia: "por falta de salas de aulas, alunos assistem aulas no banheiro”, “cada aluno terá um leptop nas escolas públicas até o ano que vem”, “proposta de piso nacional para todos os professores não pode ser menor que R$800,00 "– por 40 hora, é claro, "professor tem avc na escola quando pedem para que ele trabalhe mais 5 anos para poder se aposentar", "aluno manda bomba para professora, que tem a mão amputada''.

Acho que vamos precisar de outros meios (mídias) para tornar visível nosso mundo paradoxal entre a perplexidade e as incertezas, simultaneamente atravessado pelo desenvolvimento técnico avassalador e pelo crescimento vestiginoso da miséria e da fome. É preciso tocar de alguma forma essa "gente ensurdecida" (Camões). E, se preciso for, vamos passar filmes, clipes (Do pó aos bytes, já fiz o roteiro - cuja idéia surgiu a partir de uma cena no SBT/Rj mostrando o caos das escolas no Estado no início de 2006: no meio dos escombros de uma escola vários disquetes e peças de computador, cena digna das ruínas que nos fala Benjamin), fazer performances, dramatizar textos, cantar, dançar... para mostrar a vida como ela é, no dito popular “não é brinquedo, não!” e na fala do poeta Borges:

Nosso destino (...) não é espantoso porque irreal: é espantoso porque é irreversível e de ferro. O tempo é a substância de que estou feito. O tempo é um rio que me arrebata, mas sou eu o rio; é um tigre que me destrói, mas sou eu o tigre; é um fogo que me consome, mas sou eu o fogo. O mundo, desgraçadamente, é real: eu, desgraçadamente, sou Borges.(p. 409)[2]


] Notas das aulas de Políticas Públicas ministradas pela dedicadíssima prof.dra. Bertha/Uerj em curso de extensão: Formação continuada de Educadores do Sepe: multiplicadores em extensão em parceria do Sepe/Uff/Uerj - Abril a julho de 2001

[2] In: Schinitman, Dora Fried. Nuevos paradigmas, cultura y subjetividad. Buenos aires: Piados, 1995: 395-413

maio 06, 2007

Vale a pena apostar no compromisso com uma educação de qualidade! Parceria Público Público - nessa, eu acredito!

UFRJ



Faculdade de Educação
Departamento de Fundamentos da Educação

Centro de Filosofia e Ciências Humanas – Faculdade de Educação

Setor: Psicologia da Educação


CURSO DE EXTENSÃO: CINEMA PARA APRENDER E DESAPRENDER

Coordena: Profª Drª Adriana Fresquet

Co-coordena: Profª Drª Elizabeth Luiz Soares

Um dos mais efetivos modos de aprender sobre si mesmo

é tomando seriamente a cultura de outros.

Edward Hall

Rio de Janeiro
2007

Introdução e apresentação

O projeto do curso de extensão CINEMA PARA APRENDER E DESAPRENDER é um desdobramento articulado do projeto de pesquisa com o mesmo nome, ambos coordenados pela Profª. Drª. Adriana Fresquet, professora adjunta da disciplina Psicologia da Educação I na Faculdade de Educação da UFRJ Este curso de extensão pretende, a partir da experiência do cinema, sensibilizar o professor e o aluno para possíveis vivências ligadas às aprendizagens mais vitais de um ser humano, valorizando a possibilidade do cinema de afetar de uma forma única a inteligência, a afetividade e os sentidos.

Público Alvo

O curso de extensão está aberto a todos os professores de ensino médio, educação fundamental e educação infantil da rede pública de ensino preferencialmente. Igualmente, no dia do curso dos alunos, aceitaremos preferencialmente alunos de ensino médio da rede regular de ensino.

Objetivos do Curso

  • Aproximar professores e alunos da experiência do cinema.

  • Vivenciar o cinema como uma forma de aprendizagem.

  • Pensar a possibilidade de aprender em três tempos: aprender, desaprender e reaprender.

  • Criticar a utilização pedagógica do cinema apenas como recurso didático.

MAIS...