junho 21, 2007

Apenas uma farsa

Disse Marx que a história só se repete enquanto farsa. Então acho que posso dizer que respondi uma polêmica sobre um laptop para cada aluno na escola pública, com um argumento interessante para uma farsa.

Isso é sério?

Muito bom debate! Adorei como um dos colegas enumerou os motivos pelos quais um laptop por aluno não se sustenta. Sou professora da rede pública do Rj, estava até maio com a funcão de orientadora tecnológica, além de orientadora pedagógica e educacional (como sabem sou prof. líng. port readaptada). Estou fazendo um curso de extensão já há alguns 6 meses de Mídia e educação (Ufrj), participo de uma comissão de Ots que tenta, junto com a See, discutir um projeto político pedagógico para as tics na Educação. Olha, "não é brinquedo, não!” Como militante da escola pública sempre gostei das letras e das lutas, caso contrário, seria difícil continuar o que Adorno nos ensina: educar para a resistência diante da barbárie. Além disso, participo de um grupo de estudos e pesquisa sobre cinema e educação que a partir do 2* semestre darei mais atenção porque deve ser um projeto de mestrado. Diante da era do espetáculo e do esculacho em que é preciso visibilidade porque a imagem é tudo ou, se preferirem uma linguagem mais séria, era do capitalismo financeiro, da precarização de trabalho, da diminuição do Estado,... Nessa era pós-moderna, sinto dizer-lhes que os argumentos são os menos importantes. Na nossa atualidade o simulacro toma o lugar da verdade, da coerência e os interesses conseguem tornar absurdos coisas reais. Bem vindo ao deserto de real de Zizek é primoroso para pensar nossa Matrix. Essa é a barbárie, nossa tarefa a resistência, sem perder a ternura, qualquer coisa, podemos comprá-la na esquina. Tudo pode ser comprado! É uma piada ou é sério? Não vem ao caso, interessa apenas como fazemos com esse texto um tanto quanto indiferente, mas possível. Colegas, a See tem um orçamento de 14 milhões para equipamentos e materiais para às escola públicas do Rj. A mesma secretaria que chama professor II para ser contratado e não consegue porque o salário....!!!! A minha escola tem internet sem fio na sala em que trabalho. Os laptops irão chegar sem metodologia e sem políticas públicas sérias para implementá-los. VAmos gritar, como fazemos hoje, mas será apenas mais uma performance enloquecida que rapidamente mostrar-se-á patética. Então, vamos tentar nos apropriar desses laptops e fazer uma limonada. Como diz Manuel Bandeira o que não tem remédio.... É conformista?? É revolucionário? É a vida como ela é. Precisamos todos nos capacitar o mais possível para usarmos todas as ferramentas que forem dadas para a guerra, até que possamos tomar o poder e fazer a diferença. Vamos precisar comer pelas beradas e de preferência sem morrer por isso, senão, quem fará a diferença? E as ongs sérias que me desculpem, mas como tem gente ganhando dinheiro com a inclusão digital!.
Para terminar e vocês não pensarem que pirei, deixo um vídeo amador para rirem mais um pouco: tecnologia sem metodologia de uma oficina dada pela minha tutora, divirtam-se. Encontra-se em um link nesse mesmo blog.

junho 19, 2007

Imagens e coisas

Imagens e coisas: apropriações

Interessante é que a imagem é representação e não a própria coisa. Aqui é importante fazer referência ao quadro de Magritte: Leci n’est pas une pipe http://www.rascunho.net/critica.asp?id=373 (adoro essa imagem com legenda para discutir a representação como um signo que é a elaboração de uma imagem transformada em uma peça de arte). Mesmo não sendo o próprio objeto, pode ser muito mais que isso num mundo de simulacros em que os limites entre real e representação são cada vez mais tênues. A invasão ao Iraque, me vem a memória, transmitida em rede para todo o mundo, quem viu custou a acreditar não estar diante de um jogo de vídeo game. E foi importante que não parecesse real porque o que estava em jogo era a imagem dos EUA como defensor da humanidade contra os “terroristas”. A barbárie foi editada e passava por um filtro ideológico que não podia permitir mostrar a carnificina praticada contra aquele povo. A guerra limpa, como chamamos para que não pareçam humanos os que estão sendo executados.

A imagem e suas possibilidades de interpretação, apreensão e intervenção será capturada num lance de olhar menos disperso, nesse mundo em que a visibilidade é quem inaugura a própria existência de objetos e pessoas.

Pensar essas questões e pensar-se como sujeito cognitivo/criativo capaz de interagir e intervir no processo de construção da própria história.

Assim como foi feito um recorte para os atores dos próximos capítulos será necessária uma visão mais minuciosa do corpus escolhido. Isso é uma outra etapa.

Por hora, fiquemos com um texto de Manuel de Barros (Livro das ignorâças) que tenta justificar com imagens poéticas um pouco do que se pretende com esse projeto:

As coisas não querem mais ser vistas por pessoas

Razoáveis:

Elas desejam ser olhadas de azul –

Que nem uma criança que você olha de ave.

Eliana Cunha 19/06/07