Imagens e coisas: apropriações
Interessante é que a imagem é representação e não a própria coisa. Aqui é importante fazer referência ao quadro de Magritte: Leci n’est pas une pipe http://www.rascunho.net/critica.asp?id=373 (adoro essa imagem com legenda para discutir a representação como um signo que é a elaboração de uma imagem transformada em uma peça de arte). Mesmo não sendo o próprio objeto, pode ser muito mais que isso num mundo de simulacros em que os limites entre real e representação são cada vez mais tênues. A invasão ao Iraque, me vem a memória, transmitida em rede para todo o mundo, quem viu custou a acreditar não estar diante de um jogo de vídeo game. E foi importante que não parecesse real porque o que estava em jogo era a imagem dos EUA como defensor da humanidade contra os “terroristas”. A barbárie foi editada e passava por um filtro ideológico que não podia permitir mostrar a carnificina praticada contra aquele povo. A guerra limpa, como chamamos para que não pareçam humanos os que estão sendo executados.
A imagem e suas possibilidades de interpretação, apreensão e intervenção será capturada num lance de olhar menos disperso, nesse mundo em que a visibilidade é quem inaugura a própria existência de objetos e pessoas.
Pensar essas questões e pensar-se como sujeito cognitivo/criativo capaz de interagir e intervir no processo de construção da própria história.
Assim como foi feito um recorte para os atores dos próximos capítulos será necessária uma visão mais minuciosa do corpus escolhido. Isso é uma outra etapa.
Por hora, fiquemos com um texto de Manuel de Barros (Livro das ignorâças) que tenta justificar com imagens poéticas um pouco do que se pretende com esse projeto:
As coisas não querem mais ser vistas por pessoas
Razoáveis:
Elas desejam ser olhadas de azul –
Que nem uma criança que você olha de ave.
Eliana Cunha 19/06/07

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